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Uma proposta para a implantação do SBRD (Sistema Brasileiro de Radio Digital)

Tendo como base a portaria número 290 que institui o Sistema Brasileiro de
Rádio Digital, segue uma proposta para a sua implementação utilizando-se o
sistema Digital Radio Mondiale como sua base técnica:

Em face da necessidade de se manter as transmissões analógicas por um
período de transição que pode ser longo, e tomando em consideração a atual
ocupação do espectro, principalmente na faixa do FM que se encontra
totalmente ocupado em regiões metropolitanas como São Paulo, Belo
Horizonte e Campinas, sugerimos o uso de uma faixa de frequência extendida
para as transmissões de rádio digital em VHF, diferente das faixas atuais
existentes hoje para broadcast de rádio.

Essa faixa será a faixa dos canais 5 e 6 de TV, hoje usados para
transmissões analógicas PAL-M, cuja previsão para desligamento é de 2016. A idéia do uso dos canais 5 e 6 de TV para o rádio não é nova e já é sugerida inclusive pela Anatel no seguinte artigo: A extensão da faixa de FM e a migração da faixa de OM: O quê fazer com os canais 5 e 6 da televisão na era digital.

Até 2016, período no qual o canal 5 ou o canal 6 ainda pode estar sendo utilizado para TV PAL-M (não se pode transmitir TV PAL-M nos canais 5 e 6 simultaneamente numa mesma região devido a problemas de canal adjacente), a transmissão digital de rádio na faixa extendida se dará no canal que estiver livre (5, de 76MHz a 82MHz, ou o 6, de 82MHz a 88MHz).

Seguindo a diretriz da portaria 290, parágrafo VIII, que diz:
"Proporcionar a utilização eficiente do espectro de radiofrequências.",
sugere-se o uso de uma canalização diferente do FM, que é de 200kHz.

Visto que o padrão DRM para transmissão em VHF tem largura de banda de
96kHz, é possível uma canalização de 100kHz ou 150kHz, otimizando-se o
espectro.

No sentido da otimização do espectro e de redução de gastos pode-se
considerar a multiprogramação de forma que rádios educativas, comunitárias
e estatais de uma mesma região possam compartilhar a infraestrutura de
transmissão, visto que até 4 programas de áudio podem ser transmitidos por
um mesmo canal DRM na faixa do VHF.

No caso de rádios comerciais a multiprogramação pode possibilitar
a ampliação dos serviços providos pela rádio de forma a aumentar os
lucros, em sintonia com o parágrafo II e III do artigo 3 da portaria 290.

No caso das rádio em OM, duas opções são possíveis: a transmissão digital na nova faixa extendidade de broadcast de rádio (canais 5 e 6 de TV), ou ainda a transmissão digital usando-se o canal adjacente em OM (sendo o sistema irradiante compatilhado para a transmissão analógica AM e digital DRM), respeitando-se a máscara de transmissão.

Para as rádios em OC sugere-se o uso de canais dentro da faixa recomendada para DRM pela HFCC.

Para as rádios em OT, a alocação de canais para transmissões DRM pode continuar seguindo a mesma política para as transmissões em AM.

Considerando os parágrafos I (inclusão social) e VII (educação a
distância) do artigo 3, sugere-se permitir o uso da tecnologia de
transmissão de vídeo através da transmissão digital DRM de rádio (Diveemo), permitindo que populações remotas tenham acesso pela primeira vez a conteúdo audio-visual (TV) via rádio.

Considerando o contexto da implementação da TV Digital no Brasil, TV Digital essa que assim como o DRM usa o codec AAC para codificação de áudio, e o middleware Ginga para interatividade. É natural a recomendação da adoção do Ginga em seu perfil para receptores portáteis (o Ginga para receptores One-Seg, descrito na norma ABNT/NBR 15606-5) para o padrão de interatividade do Rádio Digital brasileiro assim como a mesma norma para o canal de retorno. Dessa forma o Rádio e a TV Digital no Brasil podem ser normalizados e operarem de forma a se complementar em receptores que suportam tanto rádio quanto TV digital.

Fica a cargo de Centros de Pesquisa e Universidades brasileiras a
integração do Ginga, especificação do canal de retorno e outras melhorias
ao padrão DRM (sem causar incompatibilidades com o DRM usado no resto do
mundo), assim como a normalização da TV com o Rádio Digital que culminarão
nas normas e código de referência que descreverão o SBRD.



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